Americanah de Chimamanda Ngozi Adichie

Esqueça estereótipos, pois em Americanah você vai ver questões sociais e raciais que fazem refletir de uma maneira nada clichê, os sentimentos de quem se torna imigrante, romance, e histórias de determinação e superação.

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Capa do livro

Chimamanda Ngozi Adichi tem conferências publicadas no TED assistida por milhões de pessoas, além de centenas de entrevistas onde fala com clareza o que é ser mulher, negra, e de origem africana. Além disso é também a autora de Americanah.

Conheci a autora por meio de uma conferência no TED onde ela falava os motivos que a faziam ser feminista. Assim como a sua escrita, ela tem o dom de falar algo pesado em tom claro, e  muitas vezes até cômico. Inteligente, linda e com ideias que admiro, após pesquisar sobre ela fiquei: “Nossa, quem é essa mulher? Preciso ler um livro dela!” E foi assim que cheguei à Americanah!

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Chimamanda Ngozi Adichie – fonte Vogue.it

Americanah é uma gíria usada pelos nigerianos com relação aos seus compatriotas que imigram para os Estados Unidos e retornam americanizados.

No livro, conhecemos Ifemelu e Obinze. Um casal de adolescentes se descobrindo juntos, e que em um momento da vida se separam quando Ifemelu tem a oportunidade de estudar nos Estados Unidos, e Obinze fica na Nigéria enquanto tentam, por certo tempo, manter essa relação à distância.

Ao chegar nos Estados Unidos, Ifemelu percebeu o quanto as pessoas ignoravam sobre a sua origem, perguntas sobre a sua tribo e os elogios pelo seu inglês correto (inglês é o idioma oficial da Nigéria! ), eram comuns. Após um período de difícil adaptação e sofrimento a personagem cria então um blog sobre as impressões de uma negra não americana nesse país, e alguns textos do blog estão no contexto do livro.

Nesse ponto Obinze foi deixado para trás e vai para a Inglaterra tentar uma oportunidade. Até ser deportado por estar ilegalmente no país. Se sentindo humilhado, Obinze volta à seu país para tentar se reerguer.

Alguns anos se passam e Ifemelu, mesmo com a oportunidade de ficar nos Estados Unidos sente necessidade de voltar para a sua pátria e nos mostra outra vez choque cultural,  a dificuldade de se encaixar, o reencontro com Obinze e o que a vida adulta os espera. Pois a menina que foi embora não foi a que retornou.

O livro me levou a refletir o quanto as vezes aceitamos coisas que não deveriam ser consideradas comuns. O trecho em que a personagem para fazer uma seleção de emprego esconde o seu cabelo afro ao se submeter à um alisamento que a deixa com grandes feridas de pus no seu couro cabeludo é algo que me fez pensar o quanto nos sacrificamos para nos encaixar em um difícil padrão, e a qualquer custo. A vitória de Obama e o que isso significou  para os jovens, principalmente os negros, nos Estados Unidos também foi um ponto forte no meu ponto de vista.

É um livro de linguagem fácil e rápida, bem atual, reflexivo e muito gostoso de ler. Deixa a gente com uma pulga atrás da orelha e o sentimento de ter lido uma ótima história.

Avaliação: ♥♥♥♥♥ (5/5)

Para ver:

Para ouvir:

Curiosidades:

  • Os direitos do livro já foram vendidos para virar filme. Espero ver isso em breve!

Autor(a): Chimamanda Gnozi Adchie

Editora: Companhia Das Letras

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